8.11.12

ROSÁRIO NOVEMBRO NEGRO

QUE O MEU GRITO POSSA SE SOMAR AO VOSSO GRITO, QUE O VOSSO GRITO SEJA O MEU GRITO.

A ameaça ao território é uma ameaça à vida. É uma ameaça ao sentido de pertencimento. É uma ameaça à cultura. É uma ameaça à religiosidade. É uma ameaça aos valores humanos. As consequências sociais, ambientais, culturais e históricas dos crimes de desterritorialização têm sido desastrosas  e dizem respeito a todos nós.

Em apoio à causa do quilombo Rio dos Macacos, dos índios Guarani Kaiowá, dos índios Caiapós, e de tantas outras etnias indígenas e comunidades quilombolas, e de tantos povos no Brasil e no mundo, que vêm sendo massacrados, dizimados e arrancados de suas terras, é que trazemos no mês de novembro mais uma temporada do espetáculo Rosário. Este é um momento especial de reflexão em que se celebra a consciência negra, é momento em que podemos nos voltar para refletir nossos processos identitários, e chamar a nossa responsabilidade de brasileiros para com outros brasileiros. 



 Rosário é uma fábula pessoal de mulheres, deusas e animais, preparada para o espectador na forma de um ritual. O espetáculo se inspira, em especial, na simbologia da coroação de reis negros, sempre viva nos Congados Mineiros e em outros folguedos brasileiros. Essa experiência cênica revela aspectos das formações identitárias brasileiras sob a perspectiva do feminino, do encontro de culturas diversas em novo território, e da religiosidade como estratégia de resistência e sobrevivência numa realidade hostil. Ancorado no contato com manifestações populares como os reisados e romarias da região do Cariri, na pesquisa vocal e na força dos cantos tradicionais, o espetáculo solo da atriz Felícia de Castro manifesta um ritual feminino e poético. Através de canções e explosões de textos, a atriz traz à cena um rosário de mulheres em uma única prece. Um corpo dilacerado pelo trauma da desterritorialização traduz no acontecimento cênico um ciclo de crueldade, criatividade, luta e reinvenção de si mesmo pelo sagrado, pela beleza e pela fé. Uma fábula pessoal que recria imagens de terra, mar, mãe, rainhas, coroações, cortes e catarses. 

O espetáculo é um solo que une o canto, o teatro e a dança, traduzindo em uma obra dez anos de vivências da atriz Felícia de Castro em manifestações populares brasileiras e pesquisas da arte do ator. Através de um olhar que partiu da Bahia e alcançou as culturas do Ceará e de Minas Gerais, a pesquisa realizou uma interlocução entre estados que refletiu sobre as mestiçagens culturais que formam tantos povos e histórias.  Rosário teve pré-estreia na 10ª Mostra SESC Cariri de Cultura em 2008 no Ceará, estreou em 20 de novembro de 2009, Dia Nacional da Consciência Negra, no Teatro do ICBA em Salvador. Em 2010 fez nova temporada no mesmo teatro contemplada pelo Prêmio Culturas Negras da Fundação Pedro Calmon (SECULT), na Bahia. A trajetória criativa resultou na dissertação de mestrado da atriz Felícia de Castro pelo Programa de Pós Graduação em Artes Cênicas da Universidade Federal da Bahia (PPGAC-UFBA) intitulada Ventos que Animam a Terra – Voz e Criação na Trajetória do espetáculo Rosário. Em 2011, o espetáculo participou de festivais e cumpriu sua terceira temporada. Em 2012, integrou a programação do FILTE – Festival Latino Americano de Teatro.

SERVIÇO:
ONDE: TEATRO GAMBOA NOVA (Rua Gamboa de Cima, n° 3, Largo dos Aflitos)
DIAS: 09, 10, 23, 24 DE NOVEMBRO
QUANDO: SEXTAS E SÁBADOS às 20 h.
QUANTO: R$ 20 E 10.

LINKS
Minidoc sobre o espetáculo Rosário. No vídeo podemos ter uma dimensão do processo de criação do espetáculo ao longo de dez anos, assistir depoimentos do público e algumas cenas do espetáculo.


 FICHA TÉCNICA
Criação, concepção geral, pesquisa e atuação – Felícia de Castro

Direção e preparação vocal– Demian Reis
Assistência de direção – Carolina Laranjeira
Textos - Felícia de Castro (poemas autorais e textos livremente inspirados em fragmentos do depoimento de Marina Gurgel sobre a invasão ao Caldeirão da Santa Cruz do Deserto (CE), em canções do Reisado de Congo (CE), em corridos de Capoeira, em orações do catolicismo popular, e no livro Viva o Povo Brasileiro, de João Ubaldo Ribeiro).
Iluminação – Eduardo Albergaria
Trilha Sonora – Felícia de Castro e coletivo rosário com a colaboração de Fabiano de Cristo (CE).
Figurino – Rino Carvalho
Cenografia e Adereços – Felícia de Castro e coletivo rosário com a colaboração de Maurício Pedrosa (BA) (confecção boi e coroa)
Arte Gráfica e Fotografias – Eduardo Ravi


2.11.12

NOVEMBRO NEGRO

Comemorando três anos de estreia, após uma longa gestação de dez anos preenchidos por pesquisas,
vivências, arrebatamentos e paixões.

Dias 2, 3, 9, 10, 23, 24 no Teatro Gamboa Nova, sextas e sábados de novembro de 2012, às 20 h.

arte e foto Eduardo Ravi

8.9.12

Rosário ganhou uma crítica em forma de poema pelos olhos do escritor Astier Basílio

deuses caíram dos céus
e ocuparam tua fala,

uns alongando o que miras,
- não foi preciso palavras -
o olhar transformado em barro
animou céus e diásporas

e criamos, e fizemos
intervenções ao que falta

fui eu quem juntei as cenas
e recuperei as páginas
o palco, feito em teu corpo,
dançou pedaços de fábula

e na igreja da Barroquinha,
deuses subiram em tua saia

a invasão, cataclismo,
couberam por onde andavas
e houve instante, parecia,
que era por sobre as águas

deuses couberam nas dobras
da flor que houve em tua lábia


Originalmente publicado no blog do escritor Astier Basílio http://nopalcodapalavra.blogspot.com.br/2012/09/blog-post.html

27.8.12

ROSÁRIO no Festival Latino Americano de Teatro

Apresentações dias 2 e 3 de setembro de 2012, na antiga igreja da Barroquinha, às 18:30 h. Confiram a programação completa do FILTE BAHIA - Festival Latino Americano de Teatro em www.filte.com.br


Rosário é uma fábula de mulheres, deusas e animais preparada para o espectador na forma de um ritual. O espetáculo se inspira, em especial, na simbologia da coroação de reis negros, sempre viva nos congados mineiros e em outros folguedos brasileiros. Esta experiência cênica revela aspectos das formações identitárias brasileiras a partir do encontro de culturas diversas em novo território e a religiosidade como dispositivo de sobrevivência e técnica de resistência numa realidade hostil. Ancorado no contato com manifestações populares como os reisados e romarias da região do Cariri, na pesquisa vocal e na força dos cantos tradicionais, o espetáculo solo da atriz Felícia de Castro manifesta um ritual feminino e poético. Através de canções e explosões de textos, a atriz traz à cena um rosário de mulheres em uma única prece. Um corpo dilacerado pelo corte da desterritorialização traduz no acontecimento cênico um ciclo de crueldade, criatividade, luta e reinvenção de si mesmo pela beleza e pela fé. Uma fábula pessoal que recria imagens de terra, mar, mãe, rainhas, coroações, cortes e catarses. 

2.8.12

Ritual de Defesa

Lua cheia do dia três de julho de 2012
Ventos que Animam a Terra


Na lua cheia do dia 03 de julho, concluí um longo ciclo de dois anos e meio de trabalho intenso. Durante esse tempo me recolhi e desenvolvi uma reflexão sobre o longo processo de criação que envolve o nascimento do espetáculo Rosário. Revisitando antigos diários de trabalho, lendo novas e antigas referências conceituais, refletindo sobre as filosofias das práticas  e técnicas assimiladas, e sobre os fazeres e saberes das manifestações populares vivenciados, cheguei ao trabalho intitulado Ventos que Animam a Terra - Voz e Criação na Trajetória do espetáculo RosárioRosário é um espetáculo solo que está sustentado em três pilares: relação com o sagrado, universo feminino e vivências em manifestações brasileiras. A pesquisa acadêmica refletiu o processo de criação do espetáculo e o cruzamento de duas abordagens vocais como principal guia do trajeto. Esta trajetória contempla aproximadamente dez anos, nos quais, o processo de criação de Rosário está imbricado no meu percurso formativo. As sessões da dissertação contam o desenvolvimento de materialização de uma obra artística, de suas pulsões iniciais à encarnação destes impulsos, e reflete compreensões gerais acerca da criação, pois é um exemplo de trajeto que diz respeito a todo artista: o trabalho de tornar visível o invisível.  Assim como Rosário é um trabalho com a memória, foi também o exercício com esta escrita. Assim, ela foi sendo tecida, lembrando através do corpo e dos diários, remontando os vestígios dos raciocínios criativos desde seus primórdios. O trabalho foi bem recebido e celebrado pela banca com retornos como este: “A dissertação apresentada consiste em um vasto e denso material, relevante e inovador, na área das artes cênicas [...] constitui um acervo para as artes cênicas, com aplicações diversas, desde educação e criação até terapia e humanidades”. Eu estou super aliviada e feliz de poder compartilhar a pesquisa. É Rosário e suas redes de ação: logo teremos um livro.
Felícia de Castro durante ritual de defesa de mestrado

Banca Examinadora:
 Antonio Januzelli (Janô), Meran Vargens (orientadora) e  Ciane Fernandes.

As Testemunhas

28.3.12

Escrituras

Artigos sobre o trajeto criativo de Rosário, sobre a criação da figura Cabocla, uma das criaturas-eixo do espetáculo, e sobre a comicidade feminina.


Ventos que Animam a Terra: voz-encarnação do imaginário no espetáculo Rosário 

http://www.portalabrace.org/vicongresso/territorios/Fel%EDcia%20de%20Castro%20Menezes%20-%20Ventos%20que%20Animam%20a%20Terra%20voz-encarna%E7%E3o%20do%20imagin%E1rio%20no%20espet%E1culo%20Ros%E1rio%20-%20Corrigido.pdf


 De  Margarida a  Cabocla –  uma trilha de canções, técnicas, palhaço e memória


http://www.portalabrace.org/vireuniao/processos/10.%20Felicia_de_Castro_Menezes.pdf

Palhaças, bem vindas sois vós - reflexões sobre a comicidade feminina

 http://parevista.org/revista/index.php/component/content/article/31-colaboradores/121-felicia-de-castro.html

Bafuda (Felícia de Castro)
e Palhaço Mateus (Mestre Raimundo - Reisado Discípulos de Mestre Pedro (CE) (foto Nívea Uchôa)


Figura Cabocla (Felícia de Castro) foto Eduardo Ravi

Mestra Margarida (Guerreiro Joana D'arc (CE) e Felícia de Castro (foto Eduardo Ravi)

8.6.11

IMPRENSA


SOBRE ROSÁRIO

rosário, do latim “jardim de rosas”.  “Colar para contar orações”.
Como diz o poeta Manoel de Barros, “o artista não vê, ele tem visões”.
Este espetáculo é fruto de uma série de visões. Em 1998 o desejo de falar de ancestralidade, em 1999 uma saia branca imensa e uma bacia prateada, e enxurradas de visões sobre o povo brasileiro, o corte diaspórico que determinou sua formação, e as festas...
Certo dia, escutei uma bela canção que me fez vislumbrar o espetáculo. A canção era a Marcha de Nossa Senhora do Rosário (cantada pela comunidade dos Arturos, em Contagem, MG) e pesquisando fui encontrar as simbologias de coroação de reis negros. O impulso desta criação veio da relação do ser humano com a esfera do sagrado, me encantando com a força de transformação que esta (re) ligação tem nas vidas das pessoas.
Há dez anos atrás, a atriz e diretora Meran Vargens, minha inventiva professora de Expressão Vocal na graduação em Artes Cênicas na Universidade Federal da Bahia, propôs que criássemos uma cena de trinta minutos. Esta foi a primeira porta para viabilizar todos estes anseios e visões e iniciar este caminho artístico. Um caminho revelado através de passos concretos: o reavivar de uma memória muscular profunda, a realização de uma ação cênica que traga corporeidades marcadas de ancestralidade e a criação artística a partir desses passos. As inquietações com relação a arte e a urgência de aprofundar na expressão teatral caracterizavam-me como artista-pesquisadora. Aí estava meu prazer. Foi realmente uma luz nesta época conhecer o Lume Teatro que me transmitiu meios concretos de trabalho do ator enquanto corpo, voz, energia e memória, muito próximo do que eu buscava então.
Ao mesmo tempo a necessidade de ver outras formas de teatro, me levou a viajar, pesquisar acervos e encontrar manifestações populares no Nordeste, e em outras partes do Brasil.
Arrebatada pela beleza e força de algumas culturas orais, ainda em estado vivo e preservado, convivi com comunidades, aprendi cantos, danças, lutas; aprendi a jogar capoeira de angola na Bahia e a lutar espada de reisado de congo no Ceará; cantei, dancei e sorri junto. Também chorei muitas vezes, comovida com a grandiosidade deste povo, com suas sofisticadas manifestações culturais que revelavam traços da minha própria identidade como brasileira. Organizei criativamente toda experiência física e vocal e tudo que colhi vivenciando as culturas orais, no intuito de tecer um espetáculo que traduzisse essa trajetória. Rosário se delineava. A manifestação de devoção a Nossa Senhora do Rosário e a simbologia de coroação de reis negros revelando aspectos da formação das identidades brasileiras pelo viés da mestiçagem religiosa.
Neste espetáculo a simbologia da coroação de reis negros chama a todos para coroar-se, afirmar-se, se colocar diante de sua própria vida, de sua responsabilidade com o outro e com o mundo. E nos lembra a possibilidade de se reinventar através do sagrado, da beleza e da fé. Rosário é uma fábula pessoal que recria imagens de terra, mar, mãe, rainhas, coroações, cortes e catarses em um ritual, em uma festa.
Seja bem vindo a este reinado, a esta brincadeira!                                                                   
Felícia de Castro
CONCEPÇÃO CÊNICA

A criação do espetáculo Rosário se articulou através de uma multiplicidade de processos que se complementaram e dialogaram entre si apontando os caminhos para a encenação. As etapas que levaram à criação foram o treinamento pré-expressivo (assimilação de técnicas como o butoh e a pesquisa físico-vocal) ao qual me dediquei durante vários anos com meu grupo (palhaços para sempre), e a vivência e aprendizado dos elementos das tradições orais pesquisadas em campo e acervos.
A construção dramatúrgica de Rosário é sustentada em quatro eixos, que se desenvolvem e se interpenetram, num movimento cíclico:
I – ritual / sagrado / celebração / nascimento
II – corte do lugar de origem / sofrimento / cativeiro /aprisionamento
III – força / beleza / festas / grito / volta às raízes / ligação divina
IV – redenção / êxtase / libertação / coroação
Estes círculos são girados por arquétipos de mulheres, ‘arremedos de gente’, que ao mesmo tempo são a mesma mulher em fases e experiências diferentes.
A Estética da cena foi concebida durante todo processo de criação da cena, sendo conseqüência e tendo relação direta com ela. A atmosfera é de um lugar mítico e atemporal. O espaço lendário do ser e seus eternos ciclos são abordados na perspectiva da mulher (mãe criadora, relação terrena), da formação das identidades brasileiras e suas matrizes ancestrais; (áfrica, diápora e Brasil) e da expressão religiosa (busca do sagrado como força de sobrevivência numa realidade hostil, sincretismo). A criação é Centrada na expressão corporal, na pesquisa vocal e na força dos cantos tradicionais e o acontecimento cênico é manifestado como uma fábula pessoal, onde os arquétipos acima descritos são contados pelas personagens (diversas mulheres negras) como em um ritual, numa trajetória circular, feminina, expressiva e poética. 

 Corpo cênico
Estes arquétipos e temáticas são principalmente expressos pelo corpo e voz da atriz, sendo a arte do ator o guia da criação do espetáculo. Tensões e levezas transformadas em fisicidade; beleza, força e lamentos encarnados pela voz.

"Ao assistir Rosário eu vejo da voz nascer corpos... não que a voz seja anterior ao corpo ou não dialogue com esse corpo para surgir; existe sim um corpo, o de Felícia, que impulsiona essa 'primeira' voz. Essa voz pessoal, que aparece e desaparece de cena. Mas a voz da cena (ou vozes) ao ser emitida me parece fazer surgir corpos diferenciados, de forma cíclica, mas a cada movimento gera um outro corpo, surgidos do imaginário criado na pesquisa de campo. Esse imaginário é revelado em cena pelos corpos-ventos que suas vozes em Rosário libertam da terra. Acho isso muito forte em Rosário..." Daniela Guimarães (comentário do público)

Sonoplastia
Uma ambiência sonora que dialoga com a linha vocal do espetáculo, uma trilha construída a partir dos sons dos lugares e manifestações pesquisados, das rezas, dos cantos originais, dos sons da natureza, de instrumentos como tambores e pífanos, que dialogam com as vozes da atriz.

Cenário e figurino 
A presença dos elementos da terra, água, fogo e ar, rege a cena e inspiram a concepção do cenário/figurino, sendo presenças que dialogam dinâmicos com a cena. Galhos secos manipulados pela ‘mulher-árvore’, terra que escorre de sua barriga e delineia um círculo, refazem a idéia de terreiro. Cabaças guardam segredos que se revelam durante o desenrolar dos círculos, uma bacia prateada se metamorfoseia em variadas funções, água, areia, fogo, dançam junto com a atriz, suas mulheres e suas vozes. A saia branca grande, feita ‘barrocamente’ de bordados e rendas, é figurino e objeto cênico, além de usada da forma convencional, ela é manipulada e transforma-se em personagens e objetos. A caveira de um boi é assume a máscara ambígua da escravidão e do trabalho e das festas brasileiras. Espadas verdadeiras vem a tona para guerra. Todos estes elementos estão dispostos juntos como um altar em um ponto do círculo, onde as personagens vão e vêm, abrindo diagonais e círculos e traçando o ritual da cena.
  
Iluminação
Delimitando círculos de tamanhos variados criando a idéia de ciclos e pontuando as trajetórias cênicas. Utilizando principalmente a cor branca aumentando o aspecto cru das cenas; a luz deve variar as intensidades, entre quase ‘estourada’(em cenas sacras, potencializando reflexos construídos com a bacia, o fundo e a saia branca) e penumbras. Serão explorados focos no circulo e na bacia, e a exploração de sombras (utilizando o tecido branco para uma espécie de teatro de sombras).

 “O espetáculo quase que não tem texto. O texto é o corpo da atriz, e a voz dela. Mas a voz é o corpo, né!? Voz é vibração de corpo. O corpo tornado gemido, outras vezes sorriso, choro-canção, silêncio...

Tudo o que tento fazer com poesia ela faz com o corpo:

Expressão livre de discursos. Livre de panfletos. A consciência não como gramática, mas como marcas e fluxos do corpo. Corpo-consciência. Gesto que incomoda e seduz por tão indizível que é. Por tão completo que é. Ato que força o público a fermentar as suas próprias sensações. Suas próprias idéias. E que os discursos sejam como o público: multifacetados.

Ali - no corpo da atriz - [entidade encarnada] todos os elencos se fazem desnecessários."  Robson Poeta Du Rap (comentário do público)

13.4.11

“A alegria, conseqüentemente o riso, é uma das melhores formas de vivenciar o sagrado.
 (Mãe Stella de Oxossi)

22.3.11


O Ceará é uma das grandes fontes de inspiração, criação e vivência de Rosário. Lá estão muitas de minhas risadas e minhas lágrimas que agora dançam neste solo. É com muita alegria que agora vamos vadiar neste terreiro novamente trazendo o espetáculo nascido para a semana de artes cênicas do SESC. Correremos as veredas do cariri (Juazeiro e Crato), passaremos por Sobral e chegaremos em Fortaleza, onde, ainda de quebra, faremos novamente Jardim, espetáculo de palhaçaria feminina, que tanto encantou os cearenses e foi premiado no festival de Guaramiranga de 2005.

APAREÇAM! DIVULGUEM! VENHAM CELEBRAR CONOSCO!


PROGRAMAÇÃO MARÇO:



SEMANA DE ARTES CÊNICAS DO SESC


24 – ROSÁRIO – TEATRO PATATIVA DO ASSARÉ (SESC JUAZEIRO – JUAZEIRO DO NORTE)
25 – ROSÁRIO – TEATRO DO SESC CRATO  (CRATO)
27 – ROSÁRIO – TEATRO SÃO JOÃO (SESC SOBRAL – SOBRAL)
28 – JARDIM  –  TEATRO EMILIANO QUEIRÓZ (SESC FORTALEZA)
29 – ROSÁRIO – TEATRO SESC IRACEMA (DRAGÃO DO MAR – FORTALEZA)
30 – ROSÁRIO – TEATRO SESC IRACEMA (DRAGÃO DO MAR – FORTALEZA)


11.1.11

TEMPORADA 2011
TEATRO GAMBOA NOVA
SEXTAS E SÁBADOS 20 h
14 A 29 DE JANEIRO

24.12.10

                 TEMPORADA 2011
 TEATRO GAMBOA NOVA
ÀS 20 h

SEXTAS E SÁBADOS 
 DE 14 À 29 DE JANEIRO DE 2011
Rosário é uma fábula de mulheres, deusas e animais preparada para o espectador na forma de um ritual. O espetáculo se inspira, em especial, na simbologia da coroação de reis negros, sempre viva nos congados mineiros e em outros folguedos brasileiros. Esta experiência cênica revela aspectos das formações identitárias brasileiras a partir do encontro de culturas diversas em novo território e a religiosidade como dispositivo de sobrevivência e técnica de resistência numa realidade hostil. Ancorado no contato com manifestações populares como os reisados e romarias da região do Cariri, na pesquisa vocal e na força dos cantos tradicionais, o espetáculo solo da atriz Felícia de Castro manifesta um ritual feminino e poético. Através de canções e explosões de textos, a atriz traz à cena um rosário de mulheres em uma única prece. Um corpo dilacerado pelo corte da desterritorialização traduz no acontecimento cênico um ciclo de crueldade, criatividade, luta e reinvenção de si mesmo pela beleza e pela fé. Uma fábula pessoal que recria imagens de terra, mar, mãe, rainhas, coroações, cortes e catarses. 

FICHA TÉCNICA:
Concepção, pesquisa e Atuação – Felícia de Castro
Direção e Preparação Vocal– Demian Reis
Assistência de direção – Carolina Laranjeira
Iluminação e operação de luz – Eduardo Albergaria
Figurino – Rino Carvalho
Trilha Sonora – Fabiano de Cristo e coletivo rosário
Arte Gráfica e Fotografias – Eduardo Ravi
Cenografia e Adereços (boi e coroa) – Maurício Pedrosa e coletivo rosário
Costura – Angélica Paixão

TEATRO GAMBOA NOVA 
Quando: SEXTAS E SÁBADOS, ÀS 20 H, DE 14 A 29 DE JANEIRO
Quanto: Valor: R$ 10,00 e 5,00 

Realização: Felícia de Castro
E-mail: espetaculorosario@gmail.com
Site: espetaculorosario.blogspot.com
Contato:  71 – 87321535 / 71 – 99132813
foto eduardo ravi

" Um espetáculo bem concebido, bem encenado (muito bem encenado) e que nos convida a nos conectarmos com nossos "eus", nossas memórias, nossas histórias..." (Clara Coelho)

"Me encantó! De esas obras que te hacen no se qué en el pecho." (Santiago Harris)

"... sua Senhora do Rosário me levou a outro espaço-tempo mítico da cultura popular que está em todos nós... quer saibamos ou não. obrigado pelo espetáculo. (Jorge Tadeu Coelho)

"Inquietante, profundo, muito rico!" (Sandra Guimarães)

O espetáculo quase que não tem texto. O texto é o corpo da atriz, e a voz dela. Mas a voz é o corpo, né!? Voz é vibração de corpo. O corpo tornado gemido, outras vezes sorriso, choro-canção, silêncio... Ali - no corpo da atriz - [entidade encarnada] todos os elencos se fazem desnecessários." (Robson Poeta Du Rap )

"Faz tempo que não me emociono tanto. Estou feliz de vermelho-delicadeza!" (Paula Lice)

"...surpreendente, emocionante e profundo. Saio com vontade de abraçar todas as mulheres que estão em você." (Mirela Triart)

"Poesia, rosa vermelha, teatro, corpo, suor, raízes de um lugar aqui e não sei onde de tão longe perto! Obrigada pelas sensações e certeza de um trabalho sério merecedor de respeito e aplausos." (Karina de Faria)

"... Esse é o teatro que gosto de ver, que me faz sentir, pulsar, pensar... Pra mim me tocou como força de apoderamento, independentemente de gênero, raça, nacionalidade... É restituir o homem de sua natureza divina. Relembrar, religar... Teatro sagrado." (Marianne Tezza)

"Renovo minha fé e vontade de seguir lutando pela vida" (Inaê)

"Forte e lindo. Como transformar dor em um sol de alegria transfigurada. obrigado!" (Fábio)

14.9.10

BELAS PALAVRAS DO DIRETOR, PARTEIRO DESTA CENA;

COMO VEJO ROSÁRIO - uma fábula de mulheres, deusas e animais


por Demian Reis



Rosário mostra a beleza do poder feminino de transformar o sofrimento e a dor em amor. Vejo em Rosário, o ritual de uma mulher e ao mesmo tempo várias mulheres, conquistando a sua soberania diante das adversidades do mundo em que habita. Adversidades como a violência masculina contra a mulher, a pobreza, o preconceito de cor, a desterritorialização e a escravidão. Para a platéia brasileira essas imagens construídas no espetáculo nos remetem à experiência da escravidão no Brasil, mas essas condições de opressão ainda são vividas por mulheres hoje em diversos lugares do Brasil e no mundo e as marcas dessas feridas históricas se mantêm na memória de uma população ainda maior. A fábula em forma de ritual Rosário expõe marcas e nos deixa diante de feridas que nem todos e nem sempre temos coragem de olhar. Mas Rosário seduz e desperta a nossa atenção para essas dores de modo suave e delicado, com a sincera sabedoria de quem carrega também todos os remédios e os poderes femininos necessários para curar as feridas que exibe. O sentimento do sagrado, a conexão com a nossa ancestralidade, a beleza feminina, a especial ligação da mulher às forças da natureza, a dança e o canto, a voz e o corpo. São tudo que é necessário. Todos esses remédios se encontram em Rosário. Todos esses poderes se encontram em cada mulher. Quando nos falta coragem de olhar para as nossas feridas porque doem e incomodam, elas entram em processo de infecção alastrando seu poder destrutivo. Se não encontrarmos tempo para dar atenção às marcas de nossas feridas, elas permanecem confortavelmente ecoando em nossas mentes e nossos corações sem que possamos nos libertar de sua influência. Vejo em Rosário, como uma mulher e ao mesmo tempo várias, reúne motivação, esforço, coragem e sabedoria para expulsar de sua memória o veneno do sofrimento.

 22 de agosto de 2010

6.8.10

AGENDE SEU GRUPO PARA VER O ESPETÁCULO

foto eduardo ravi
Espetáculo Rosário direciona 50% dos ingressos para estudantes de escola pública e integrantes de entidades afro-brasileiras


O espetáculo Rosário, com concepção, pesquisa e atuação de Felícia de Castro foi contemplado pelo edital da Fundação Pedro Calmon de Culturas Negras de 2008, tem direção do palhaço, ator e doutor em artes cênicas, Demian Reis e ficará em temporada no Teatro do ICBA, Corredor da Vitória, de 05 a 27 de agosto, com apresentações às quintas-feiras às 14h e às 20h e sextas-feiras às 20h. Os ingressos custam R$ 10 (inteira) e R$ 5 (meia).


Uma das propostas do projeto aprovado pelo edital da Fundação Pedro Calmon é a formação de plateia, por isso 50% dos ingressos serão para estudantes de escola pública e integrantes de entidades voltadas para a temática afro-brasileira. Para agendamento do publico que terá acesso gratuito ao espetáculo é preciso entrar em contato com a produção do espetáculo nos emails vivianejaco@gmail.com e espetaculorosario@gmail.com, informando a preferência de dia e horário.

“Todo mundo rei e rainha de sua própria história” é com essa provocação e muitas outras durante o espetáculo Rosário que Felícia de Castro coroa o público com uma interpretação intensa que esbanja feminilidade. A abordagem tem aspectos da presença do sagrado nas manifestações culturais afro-brasileiras. Rosário é uma fábula ritualizada contada numa trajetória circular.

Através de cantigas, rico gestual, explosões de texto, interatividade com o público, a atriz revela aspectos das identidades brasileiras. Através de um ciclo denso e cheio de oscilações que configuram as várias mulheres presentes na personagem, é possível perceber a articulação entre gênero, etnia, poesia, beleza e fé. 


24.7.10

 NOVA TEMPORADA 
 TEATRO DO ICBA
 DE 05 À 27 DE AGOSTO DE 2010
foto Maíra Valente
 ÀS QUINTAS (14 h e 20 h) E SEXTAS (20 h)




Rosário é uma fábula de mulheres, deusas e animais preparada para o espectador na forma de um ritual. O espetáculo se inspira, em especial, na simbologia da coroação de reis negros, sempre viva nos congados mineiros e em outros folguedos brasileiros. Esta experiência cênica revela aspectos das formações identitárias brasileiras a partir do encontro de culturas diversas em novo território e a religiosidade como dispositivo de sobrevivência e técnica de resistência numa realidade hostil. Ancorado no contato com manifestações populares como os reisados e romarias da região do Cariri, na pesquisa vocal e na força dos cantos tradicionais, o espetáculo solo da atriz Felícia de Castro manifesta um ritual feminino e poético. Através de canções e explosões de textos, a atriz traz à cena um rosário de mulheres em uma única prece. Um corpo dilacerado pelo corte da desterritorialização traduz no acontecimento cênico um ciclo de crueldade, criatividade, luta e reinvenção de si mesmo pela beleza e pela fé. Uma fábula pessoal que recria imagens de terra, mar, mãe, rainhas, coroações, cortes e catarses. 

FICHA TÉCNICA:
Concepção, pesquisa e Atuação – Felícia de Castro
Direção e Preparação Vocal– Demian Reis
Assistência de direção – Carolina Laranjeira

Assessoria em danças brasileiras - Rafael Rolim
Iluminação e operação de luz – Eduardo Albergaria
Figurino – Rino Carvalho
Trilha Sonora – Fabiano de Cristo e coletivo rosário
Operação de som - Ana Carla Silva

Produção – Viviane Jacó
Assessoria de Imprensa – Dayane Pereira
Arte Gráfica e Fotografias – Eduardo Ravi
Cenografia e Adereços (boi e coroa) – Maurício Pedrosa e coletivo rosário
Costura – Angélica Paixão

TEATRO DO ICBA (corredor da Vitória, 1809, telefone: 3338 4700).
Quando: 05 a 27 de agosto de 2010 /Quintas às 14h e 20h, Sextas às 20 h.
Quanto: Valor: R$ 10,00 e 5,00 

Realização: Felícia de Castro
E-mail: espetaculorosario@gmail.com
Site: espetaculorosario.blogspot.com
Contato: 71 - 91968548 / 71 - 99776226 / 71 – 87321535 / 71 – 99132813



GRUPOS E DEBATES 




ESTRÉIA COM A PRESENÇA DO CRIA  E DO CEAO


ALunos e educadores destas instituições prestigiaram a abertura desta nova temporada com uma platéia muito atenta e viva. Após a apresentação foi realizado um rico debate, onde muitas imagens e símbolos do espetáculo foram refletidos. Houve também uma demonstração técnica de um dos elementos do espetáculo: o jogo de espadas do reisado de congo.


fotos eduardo ravi


DIVERSAS INSTITUIÇÕES, ESCOLAS E PROJETOS COMO STEVE BIKO, COLÉGIO ESTADUAL MANOEL NOVAES, GECAP (Grupo de capoeira angola pelourinho), ZIMBA (grupo de capoeira angola), projeto Encruzilhadas do CEAFRO, Viva Maria, Centro Cultural Alagados, entre outros, FORAM ASSSITIR O ESPETÁCULO.
Mestre Moraes (GECAP - grupo de capoeira angola pelourinho)